Da mais alta janela da minha casa, com um lenço branco, digo adeus aos meus versos que partem para a humanidade. E não estou alegre nem triste; este é o destino dos versos [...]. Quem sabe quem os lerá? Quem sabe a que mãos irão? Fernando Pessoa.

Obs. usando a autonomia que a licença poética e a própria cultura brasileira me permitem, não adoto linearmente essa segunda outorga (arbitrária) da língua portuguesa.


quinta-feira, agosto 28, 2008

Sem âncoras (guacira maciel)

Batido ao vento
barcos à deriva
sem âncoras
entremeados
da solenidade dos verdes
dos musgos agarrados aos cascos
como crustáceos à pedra
já não tem sentido o cais
ventos pagãos
roçam a tua tez
e saboreio nela a brisa escorrida
com cheiro de maresia
misturado ao teu arfar cansado
aceso
o hálito doce
impede-me o sono
atormentada anseio
por te ter na boca
à madrugada
pelas janelas escancaradas
como sinto teus poros
lavradas em cristal
penetram-me borbulhas de mar
antecipando o favo
e meus pés entrelaçados aos teu
cansados
mornos
divindade
casto
louco
Pousas
mergulhas
danças
avaporas-te

Um comentário:

Valdeck disse...

Linda poesia... mar, amor, barco, abraço... metáforas...

Valdeck Almeida de Jesus
www.galinhapulando.com