Da mais alta janela da minha casa, com um lenço branco, digo adeus aos meus versos que partem para a humanidade. E não estou alegre nem triste; este é o destino dos versos [...]. Quem sabe quem os lerá? Quem sabe a que mãos irão? Fernando Pessoa.

Obs. usando a autonomia que a licença poética e a própria cultura brasileira me permitem, não adoto linearmente essa segunda outorga (arbitrária) da língua portuguesa.


quinta-feira, junho 07, 2007

As tuas mãos (guacira maciel)

As tuas mãos são grandes
as tuas mãos são grandes
como asas
as tuas mãos são belas
se olho as tuas mãos
elas me fazem flutuar
até perder o chão
as tuas mãos acolhem
as tuas mãos afagam
as tuas mãos são fundas
como grandes conchas
elas carregariam a água
que mataria a minha sede
sinto as tuas mãos
elas poderiam conter
partes de mim
abrigar-me do frio
amparar a chuva
mesmo que caísse em torrentes
as tuas mãos me abrigariam
do zênite solar
amo as tuas mãos de asas
grandes
belas
fundas
pródigas

Nenhum comentário: