Da mais alta janela da minha casa, com um lenço branco, digo adeus aos meus versos que partem para a humanidade. E não estou alegre nem triste; este é o destino dos versos [...]. Quem sabe quem os lerá? Quem sabe a que mãos irão? Fernando Pessoa.

Obs. usando a autonomia que a licença poética e a própria cultura brasileira me permitem, não adoto linearmente essa segunda outorga (arbitrária) da língua portuguesa.


segunda-feira, junho 25, 2007

Auto retrato (guacira maciel)

Num instante
sou sensibilidade
delirante retórica
sou libertar, "perestroika"
sou lucidez sou razão

ambiguamente abelha rainha zangão
sou ferida uma grande inflamação
mas sou também cicatriz
sou fogo fogueira motriz
e logo logo sou chama mortiça sou cinza
insônia febril gota d'água
e já cachoeira chafariz
sou locomotiva arranque
sou barco a vela nessa guerra sou tanque
sou vento frio sou final de pavio
chuva fina furacão vendaval
sou alegria do frevo
e marchinha de carnaval
outras vezes vazante preamar maré cheia
sutileza de espuma beijando areia
sou prata da lua cheia sou minguante
mas sob o sol do deserto
sou beduíno errante
ao final sou criança inocente
rastro de estrela cadente
sou tudo isso e sou nada
sou teu passado presente

Um comentário:

Marília disse...

Oi Guacira: esse poema é simplesmente MARAVILHOSO, aliás, já tem um tempo que venho dar umas olhadinhas por aqui e cada um é mais lindo que o outro!!!!!!
Não sei se vc lembra de mim, da sec, do Colegio Thales, prof. de dança/artes... falamos,eu e uma amiga de artes visuais, sobre o pec em 2006 (acho). Nós gostamos mto de vc!!Se vc puder me mande um email, precisava conversar um pouco com vc: lilacurvelo@yahoo.com.br
um abraço,