Da mais alta janela da minha casa, com um lenço branco, digo adeus aos meus versos que partem para a humanidade. E não estou alegre nem triste; este é o destino dos versos [...]. Quem sabe quem os lerá? Quem sabe a que mãos irão? Fernando Pessoa.

Obs. usando a autonomia que a licença poética e a própria cultura brasileira me permitem, não adoto linearmente essa segunda outorga (arbitrária) da língua portuguesa.


domingo, março 04, 2007

Olhares (guacira maciel)

O sol é o mesmo, o mundo é o mesmo, mas a cada dia acordo com um novo olhar sobre as mesmas coisas...e isso muda tudo, não? se pensarmos que todas as verdades são precárias... assim, seria bom, se pudéssemos, fazer uma força para entender a verdade que mobiliza quem nos fere; até nisso há lições, ensinamentos...
Não descobrimos o absurdo até conhecermos a felicidade; são dois lados da mesma moeda, indissociáveis, e que não são excludentes, como na Física Quântica; mas uma outra possibilidade...o nosso olhar é que exclui!

Albert Camus...fantástico!! Um homem extremamente lúcido, realista, mas sensível, profundamente amoroso e apaixonado pela vida.

A cada vez que leio ou releio sua obra, descubro coisas novas...é desses homens eternos...
Olha só: Em O mito de Sísifo, encontrei pérolas...

Quando o chamamento da felicidade se torna demasiado premente; a tristeza se ergue no coração do homem...é a vitoria do rochedo...e o infortúnio se torna pesado demais pra carregar.
A própria luta para atingir os píncaros basta para encher um coração de homem.É preciso ima ginar Sísifo feliz...

Não há amor generoso senão aquele que se sabe ao mesmo tempo passageiro e singular.
Eu amo a vida, eis a minha verdadeira fraqueza.Amo-a tanto, que não tenho nenhuma imaginação para o que não for vida.

Um grande escritor sempre traz consigo seu mundo e sua prédica.

O que é, com efeito, o homem absurdo...aquele que sem o negar, nada faz pelo eterno.